Dislipidemia é a alteração dos níveis de lipídios — ou gorduras — presentes no sangue. Entre os principais componentes avaliados estão o LDL-colesterol (LDL-c), o HDL-colesterol (HDL-c), os triglicerídeos (TG) e o colesterol total.
O LDL-c participam diretamente do processo de aterosclerose?, contribuindo para a formação e progressão de placas nas artérias aumentando o riso de infarto e AVC. Quanto maior a exposição ao LDL-c ao longo da vida, maior tende a ser o risco cardiovascular.
A presença de dislipidemia e o risco de complicações cardiovasculares são influenciados por diversos fatores.
A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma causa genética importante de LDL-c elevado. Deve ser especialmente suspeitada diante de LDL-c persistentemente muito elevado, sobretudo ≥190 mg/dL em adultos, particularmente quando existe história familiar de doença cardiovascular prematura ou de colesterol elevado.
A avaliação deve ser individualizada e integrada à prevenção cardiovascular.
A Diretriz Brasileira de 2025 recomenda:
A identificação precoce é particularmente importante na hipercolesterolemia familiar, pois a exposição ao LDL-c elevado começa muito antes do aparecimento dos sintomas.
Em adultos, a avaliação do perfil lipídico deve fazer parte da avaliação global do risco cardiovascular, especialmente na presença de fatores de risco, história familiar ou doenças associadas.
O principal exame inicial é o perfil lipídico, que geralmente inclui: Colesterol total (CT), LDL-colesterol (LDL-c), HDL-colesterol (HDL-c), Triglicerídeos (TG) e Colesterol não-HDL (não-HDL-c).
Dependendo do caso, o médico pode solicitar:
pode ajudar a estimar a quantidade de partículas aterogênicas, principalmente quando há discordância entre LDL-c e o restante do perfil lipídico.
marcador predominantemente genético de risco cardiovascular, recomendado pelo menos uma vez na vida em adultos. Valores elevados podem contribuir para a reclassificação do risco.
pode atuar como marcador adicional de risco em situações selecionadas.
não é um exame de rastreamento universal. Pode ser utilizado em pessoas selecionadas, especialmente quando existe dúvida sobre a classificação do risco ou sobre a decisão de iniciar tratamento.
pode ser indicada quando há suspeita de hipercolesterolemia familiar ou outras dislipidemias genéticas.
Sim. E o tratamento é altamente eficaz quando indicado e acompanhado adequadamente. A estratégia depende do risco cardiovascular, dos níveis de LDL-c e triglicerídeos, da presença de doença cardiovascular, diabetes, hipercolesterolemia familiar e de outros fatores agravantes.
A dislipidemia frequentemente é silenciosa. Uma pessoa pode apresentar colesterol elevado durante anos sem qualquer sintoma. O problema é que a exposição prolongada a níveis elevados de LDL-c favorece a formação e progressão da aterosclerose. Com o tempo, isso pode aumentar o risco de:
Em pessoas com hipercolesterolemia familiar, o risco pode ser particularmente elevado porque a exposição ao LDL-c começa desde a infância ou juventude. O tratamento precoce está associado a melhores desfechos ao longo da vida. Já nos casos de hipertrigliceridemia grave, especialmente com TG ≥500 mg/dL, existe também preocupação com pancreatite aguda.
Colesterol alto não deve ser tratado apenas quando aparecem sintomas porque, na maioria das vezes, eles não aparecem. A dislipidemia é um dos principais fatores modificáveis relacionados à doença cardiovascular aterosclerótica. A boa notícia é que existe uma grande quantidade de evidências demonstrando que a redução adequada do LDL-c pode diminuir o risco de eventos cardiovasculares. Mantenha seus exames em dia e converse com seu médico nefrologista ou clínico geral sobre seu perfil lipídico, seus fatores de risco, seu histórico familiar e a necessidade ou não de tratamento.