Obesidade

Este material tem finalidade educativa e não substitui consulta médica, diagnóstico ou tratamento individualizado.

O que é?

A obesidade é uma doença crônica, complexa, multifatorial e recidivante, caracterizada pelo excesso ou distribuição anormal de tecido adiposo associado a consequências para a saúde. A visão mais atual vai além do peso ou do índice de massa corporal (IMC). O diagnóstico e o estadiamento devem considerar também a distribuição da gordura corporal, complicações metabólicas, limitações funcionais e aspectos psicológicos.

Principais Fatores de Risco

A obesidade resulta da interação de diversos fatores. Entre os principais estão:

Alimentação inadequada;

Excesso de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas;

Sedentarismo;

Privação ou baixa qualidade do sono;

Estresse crônico;

Medicamentos;

Predisposição genética;

Ambiente alimentar e social;

Uso de determinados medicamentos;

Transtornos alimentares;

Alterações metabólicas e hormonais;

Condições socioeconômicas e ambientais.

Quando Realizar o Rastreamento?

A avaliação do excesso de peso deve fazer parte do acompanhamento clínico de rotina. A ADA 2026 recomenda avaliação anual do sobrepeso e da obesidade utilizando o IMC e considera apropriada a complementação com medidas de adiposidade, como circunferência da cintura ou outros métodos de avaliação da composição corporal quando disponíveis. A abordagem atual também recomenda avaliar a presença de doenças associadas, incluindo:

Diabetes ou pré-diabetes;

Hipertensão;

Dislipidemia;

Doença cardiovascular;

Apneia obstrutiva do sono;

Doença hepática metabólica;

Osteoartrite;

Alterações psicológicas e transtornos alimentares;

Limitações funcionais.

A EASO recomenda que pessoas com obesidade sejam avaliadas de maneira sistemática quanto às complicações metabólicas, mecânicas, funcionais e psicológicas, e não apenas pelo peso corporal.

Exames Mais Utilizados:

Não existe um único exame capaz de diagnosticar e avaliar toda a complexidade da obesidade.

Índice de massa corporal (IMC)
Circunferência da cintura
Avaliação da composição corporal

Em situações selecionadas, podem ser utilizados:

Avaliação metabólica e hormonal
Avaliação da capacidade física

Existe Tratamento?

Sim. E atualmente a obesidade é reconhecida como uma doença que pode e deve ser tratada de forma estruturada e de longo prazo. Tratar a obesidade não é só canetinha e perder peso. Nossa conduta é avaliação complexa de riscos nutricionais, composição corporal, avaliação metabólica, seguimento, velocidade adequada para perda de peso, monitorar o surgimento de complicações, avaliação de ganho de massa muscular, uso adequado e com indicação individualizada de medicações, seguimento das atividades físicas, necessidade de atuação multidisciplinar junto a nutricionista e psicólogo, além de perder peso com saúde.

Quais os Riscos de Não Tratar?

A obesidade está associada a maior risco de diversas doenças, incluindo:

Além disso, a obesidade pode aumentar progressivamente o número e a gravidade das complicações ao longo dos anos. Por isso, o objetivo do tratamento não deve ser apenas “emagrecer”, mas melhorar a saúde, a capacidade funcional, a qualidade de vida e reduzir as complicações relacionadas à doença.

A obesidade tem tirado sua autoestima? Sua liberdade em mivimentar? Afetado seu desempenho sexual? Obesidade é uma doença, não uma falha moral.

Seu tratamento não deve se resumir a uma dieta ou a uma meta de peso. A abordagem moderna considera a pessoa como um todo: composição corporal, metabolismo, alimentação, atividade física, sono, saúde mental, doenças associadas e qualidade de vida. O tratamento pode envolver mudanças comportamentais, acompanhamento nutricional, atividade física, psicoterapia, medicamentos e, quando indicado, procedimentos metabólicos ou bariátricos.

Quanto mais cedo as complicações forem identificadas, maior a oportunidade de intervir e reduzir o impacto da doença.