Pergunta capciosa...Depende de onde você pesquisa. Segundo o Ministério da Saúde (que diferencia de algumas sociedades) o rastreamento populacional do câncer de próstata é um dos tópicos mais discutidos e controversos relacionados a essa neoplasia maligna, sendo motivo de debate constante. Apesar de ser facilmente posto em prática pela dosagem do PSA e realização do toque retal, sua validade como método para diagnóstico de neoplasias em estágios precoces e consequente diminuição da mortalidade ainda é muito questionada.
O risco de um homem ter um câncer de próstata diagnosticado durante a vida é de 16%, dado que demonstra a prevalência dessa neoplasia no homem, mas o risco de mortalidade por câncer de próstata é de apenas 3,4%, o que reafirma a sua indolência em uma grande proporção dos casos. Há preocupação quanto ao excesso de diagnósticos e de supertratamentos. Os ensaios clínicos mais importantes já publicados, Prostate, Lung, Colorectal, Ovarian Cancer Screening Trial (PLCO) e European Randomised Study of Screening for Prostate Cancer (ERSPC), e suas respectivas atualizações apresentam resultados conflitantes quanto ao benefício dessa intervenção na mortalidade por câncer de próstata.
As diretrizes mais recentes da Associação de Urologia Americana (American Urological Association, AUA) trouxeram mudanças importantes nas condutas de rastreamento que utilizam o PSA para o diagnóstico de câncer de próstata. Baseando-se nos ensaios clínicos que fundamentaram essas diretrizes, somente os pacientes com idade entre 55 e 69 anos deveriam ser considerados para o rastreamento, após exposição dos benefícios e riscos de tal procedimento.
A entidade recomenda, ainda, que pacientes com história familiar de câncer de próstata e da raça negra devem começar a avaliação a partir dos 40 anos. No Brasil, o Ministério da Saúde, em suas diretrizes, não recomenda o rastreamento populacional, pois considera que não há evidências de que o tratamento de tumores em estádios iniciais tenha uma efetividade que supere os riscos dos efeitos adversos causados pelo tratamento da doença.
Atualmente, a principal recomendação quanto à realização do PSA como ferramenta para o rastreamento do câncer de próstata é de que a decisão seja individualizada e compartilhada com o homem, considerando os benefícios e as consequências de um diagnóstico precoce e as opções de tratamento. Abaixo colocarei as últimas recomendações existentes sobre o assunto incluindo ao do Ministério da Saúde. Agora se você vai fazer prova de residência médica elaborado pelo INEP ou órgãos públicos a tendência é pedir o que segue o Ministério da Saúde.
Rastreamento x Diretrizes
Rastreamento é o processo de identificação de pessoas aparentemente saudáveis que podem estar sob maior risco de doença. Diretrizes são recomendações de boas práticas resultantes do julgamento pelos envolvidos no cuidado em situações específicas e baseado nas melhores evidências científicas disponíveis. Também se destinam a orientar os usuários do sistema de saúde, gestores e educadores para as melhores decisões numa área do conhecimento.
Todavia, não são regras que se aplicam universalmente, pois nunca serão contempladas todas as situações, cenários de prática e características e valores dos usuários dos serviços. Apesar de preverem a maioria das situações, as decisões de maior impacto para a vida dos indivíduos e buscarem a maior efetividade e eficiência dos procedimentos, não devem substituir o julgamento médico, que deve usá-las considerando a força de cada recomendação e, sempre que necessário, sua adaptação para aplicação em pacientes individuais.
Quer saber mais?
As informações contidas neste artigo têm finalidade exclusivamente educativa e informativa e não substituem consulta médica, diagnóstico ou tratamento individualizado.
Importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica, diagnóstico ou tratamento individualizado. Pacientes com dor intensa, febre, dificuldade para urinar ou outros sinais de gravidade devem procurar atendimento médico.
Veja mais sobre o assunto aqui:
Outras:
Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica 2026
Diretriz Europeia 2026
Siga nossas redes sociais:
E converse com nossos especialistas.